
O olhar vazio denunciava o medo que sentia de se expor, suas mãos tremiam já quase sem controle, uma pele mais pálida do que o de costume e uma alma notavelmente em pedaços...Ele olha e indiferentemente pergunta "Não anda comendo direito esses dias, não é?"...Ela suspira aliviada, de braços cruzados e responde com menos verdade do que sua expressão de calma "Estou sem apetite..."
Incomodada com o vento, ela levanta seu braço esquerdo para segurar o cabelo deixando a mostra um pulso esbranquiçado marcado por uma fenda superficial e semi retilínea...
Chegava a ser bonita a cor do sangue marcando a pele branca como o urucum que desenha suavemente a pele do juruná... Daria uma bela fotografia, e era apenas nisso que ele conseguia pensar ao olhar para o vermelho forte que paralizava todos os seus sentidos. Conseguia enxerga-la inteira coberta por aquela cor incandecente e nunca a desejara tanto. Na verdade, ele sempre a olhou como se olhasse uma fotografia... Ela não é humana, é uma bela pose imortalizada por sua falta de sentimentos e inteligencia onde aquele sangue não poderia ter outro significado alem de ser puramente estético.
Mas não, ele não podia entregar seus elogios, e com uma expressão de decepção falou "Pensei que tivesse parado com isso... Pensei que você fosse mais forte..." Com mais um suspiro mais aliviado que o anterior ela responde "Me desculpe, mas as vezes tenho que escrever em mim a passagem de algumas pessoas pela minha vida, tento incidir-las em minha carne já que não querem habitar o meu coração..."

0 comentários:
Postar um comentário